quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Do massivo ao personalizado: acessibilidade ligada a convergência das mídias


Mudanças acontecem a todo momento e em todo lugar, o fator cultural têm o poder/controle de mantê-las ou não, uma vez que o entorno (sociedade) pela sua história pode concordar ou não. Para Néstor García Canclini “cultura é um processo em constante transformação, que se diferencia da tradicional visão patrimonialista, e adota uma postura de mobilidade e ação”. Tais mudanças sejam bizarras, corretas, erradas, disformes, dependendo de onde se enxerga, têm referências, que se constroem a partir de um repertório construído que são suscetíveis a constantes transformações.
Para Lúcia Santaella existem as chamadas Eras Culturais, que se distinguem em seis: cultura oral, cultura escrita, cultura impressa, cultura de massas, cultura das mídias e cultura digital. Que nessa mesma ordem aconteceram, porém em determinadas períodos uma se sobrepôs a outra ou porque não existia ou porque ocorreram mudanças mais relevantes. E hoje não é diferente, todas convivem em constante transformação. “Há sempre um processo cumulativo de complexificação: uma nova formação comunicativa e cultural vai se integrando na anterior, provocando nela reajustamentos e refuncionalizações”, afirma Santaella.
Em um trecho da introdução do livro “Cultura e artes do pós-humano: da cultura das mídias à cibercultura”, Lúcia Santaella escreve na perspectiva de diferenciar culturas das mídias, cultura de massas e cultura digital, caracterizando pontos peculiares de três das chamadas Eras Culturais:
“Culturas das mídias não se confunde nem com a cultura massas, de um lado, nem com a cultura digital ou cibercultura de outro. É, isto sim, uma cultura intermediária, situada entre ambas. Quer dizer, a cultura digital não brotou diretamente da cultura de massas, mas foi sendo semeada por processos de produção, distribuição e consumo comunicacionais a que chamo de “cultura das mídias””.

Na chamada “cultura das mídias” há o aparecimento de formas mais dinâmicas de comunicação, houve maior disponibilidade de meios como fotocopiadoras, videocassetes, aparelhos para gravação de vídeos, dentre outros. O que acarretou numa saciedade social individualizada, em contraposição ao consumo massivo de outrora. Esse fenômeno preparou a sociedade para recepcionar com maior sensibilidade a chegada dos meios digitais. Santaella enfatiza que hoje há a chamada convergência das mídias, pois antes as mídias apenas conviviam, o que ela denomina de cultura digital.
A cultura digital, que se deve deixar bem claro, é um híbrido e uma constante mutação das demais culturas que a antecederam. Nessa a capacidade que se tem de ser múltiplo é tamanha, que chega a ser imensurável. Um ser humano, hoje, pode ter infinitos gostos, diferentes maneiras de se apresentar, dependendo da circunstância e local, diversas maneiras de lidar com o outro, podendo até mesmo criar níveis de intimidade, pois ele não mas precisa ver o outro para que possa ter um simples ou mais íntimo contato. 
Esse mesmo ser humano está mais sensível e disponível as transformações que hoje acontecem, criando em torno de si novos ambientes socioculturais, as chamadas redes sociais digitais (Orkut, Messenger, Facebook, Twitter, Blogs, Youtube, dentre tantos outros). Nessa cultura digital, se vive a cultura do acesso, segundo Santaella. Não apenas se disponibiliza o conhecimento, no sentido de aqueles que o detêm têm a posse, não! O que acontece é a disponibilidade juntamente com o acesso ao conhecimento, a diferença consiste na possibilidade de ter sobre o seu domínio aquilo e fazer o que quiser com tal apropriação. Essa é a grande diferença!  

Referência

  • SANTAELLA, Lúcia. Culturas e artes do pós-humano: da cultura das mídias à cibercultura. São Paulo: Paulus, 2003.  

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