Na sociedade digital, a qual se manifesta, se vivencia grandes transformações. Uma delas, se não a principal, é aquela que possibilita uma troca, o chamado feedback, o que garante a recepcionalidade entre usuários. Seja boa ou ruim essa troca, trás a tona uma nova tipologia da informação, a comunicação digital.
A comunicação digital cercada por seus grandes vértices, tais quais o da propaganda, que ganha uma nova aliada, o dos serviços, dos grandes empreendimentos, do jornalismo, que tem um novo meio de comunicar, dentre tantos outros, só é possível através da interatividade, que acontece entre a tela do computador e o usuário. Silva (Ibid.:105) enfatiza que:
“Um produto, uma comunicação, um equipamento, uma obra de arte são de fato interativos quando estão imbuídos de uma concepção que contemple complexidade, multiplicidade, não-linearidade, bi-direcionalidade, potencialidade, permutabilidade (combinatória), imprevisibilidade etc., permitindo ao usuário-interlocutor-fruidor a liberdade de participação, de intervenção, de criação”.
E Lúcia Santaella completa, em seu livro “Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo” que “não poderia haver interatividade, sem tal integração entre corpo e mente, entre os sentidos que auscultam e a mente que pensa em sintonia com o corpo que age. As negociações interativas não prescindem dessa sincronia”. É possível crer nessa relação entre os sensórios, mente e interatividade, uma vez que ações e percepções são meras reproduções de ligações cognitivas, por isso a interatividade ocorre como qualquer outro processo cognitivo.
A interatividade juntamente com a comunicação digital são elementos de algo muito maior: o ciberespaço. Segundo Santaella “é o espaço que se abre quando o usuário conecta-se com a rede (...) inclui os usuários dos aparelhos sem fio na medida em que esses aparelhos permitem a conexão e troca de informações. Conclusão, o ciberespaço é um espaço feito de circuitos informacionais navegáveis”. A dimensão desse espaço vem se tornando tamanha; grandes comunidades virtuais se formam e, portanto, todo um contexto em forma dela se diferencia do “real”, em virtude disso ocorre o aparecimento de uma nova forma de cultura, a cultura do ciberespaço ou cibercultura.
A chamada cibercultura cria modos, hábitos, personaliza gostos, e, sobretudo nela nasce uma nova tipologia de leitor, o imersivo. Tal distinção é feita por Santaella, que cita Uwe (1998:98), que diz “por meio de saltos receptivos, esse leitor é livre para estabelecer sozinho a ordem, textual ou para se perder na desordem dos fragmentos (...) surge uma ordenação associativa que só pode ser estabelecida no e por meio do alto de leitura”.
Os tempos são outros, a sociedade não é mais a mesma, o leitor mudou... há uma nova percepção de que comunicar bem, não é comunicar para muitos mas sim comunicar eficazmente, seja por escrito, seja oralmente, seja através de imagens, não importa. Acordo com Lúcia Santaella que conclui:
“Assim, o que deve permanecer, em meio a todas as mudanças que virão, é aquilo que chamo de leitor imersivo. Mesmo que as interfaces mudem, o leitor imersivo continuará existindo, pois navegar significa movimentar-se física e mentalmente em uma miríade de signos, em ambientes informacionais e simulados. Portanto, as mudanças cognitivas emergentes estão anunciando um novo tipo de sensibilidade perceptiva sinestésica e uma dinâmica mental distribuída que essas mudanças já colocaram em curso e que deverão sedimentar-se cada vez mais no futuro”.
Referência
· SANTAELLA, Lúcia. Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Paulus, 2004.
Nenhum comentário:
Postar um comentário