quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O híbrido que culminou numa alucinação consensual


“A diversidade e complexidade dos fenômenos comunicacionais e culturais salta aos olhos e somos levados a concordar com Canclini (1997) que hoje todas as culturas são fronteiriças, fluidas, desterritorializadas”, enfantiza Lúcia Santaella. Tal conclusão redesenha o cenário mundial, e sintetiza com clareza o que se vê e vive hoje.

Tudo se mescla, se confundi, se altera? Pelo visto, sim! Novas linguagens dialogam, a internet se torna, portanto, mais acessível, o conhecimento específico passa pela intertextualidade e as relações humanas se fazem, também, sem contato físico. Fenômenos esses decorrentes dos hibridismos típicos da pós-modernidade.
A chamada pós-modernidade têm um ídolo, a cultura midiática, responsável pelo intenso tráfego de informações, pelas incessantes trocas culturais, pelo acelerado curso do tempo, que às vezes parece sucumbir a olhos nus. O efêmero, o veloz são características marcantes da cultura midiática, o que se intensificou ainda mais com a cultura digital.     
“A efemeridade tende a se intensificar ainda mais nas configurações recentes que o ciberespaço vem adquirindo através da multiplicação das pequenas janelas virtuais”, afirma Santaella, que se refere aos bips, aos smartphones, blackberry, touchscreen, dentre outros, que possibilitam instantaneidade sem esquecer de oferecer uma grande quantidade de informações e o que há de melhor, sem deixar de proporcionar interatividade.
“A oferta de escolha pelo acesso não linear ao conteúdo, junto com a possibilidade para o usuário acrescentar ou escrever no texto hibrido é que vem sendo chamado de interatividade (Cintra 2003)”, discute Santaella ao citar Cintra. E é exatamente isso que é o grande bacana do chamado ciberespaço, a possibilidade de dizer o que quer para quem quer que seja, no momento que se bem entender, no maior estilo e designer arrojado das redes sociais, que podem ser personalizadas.
A internet, os processos informáticos desenvolvidos no mais alto patamar tecnológico são os responsáveis pelo funcionamento da grande rede que permite cruzar dados pelo mundo inteiro, do Oiapoque ao Chuí, potencializando, ou melhor, fazendo com que qualquer ser humano “possa mais” diante deste grande mundo.   
“Ciberespaço é um nome genérico para se referir a um conjunto de tecnologias diferentes (...) algumas sendo desenvolvidas e outras ainda ficcionais. Todas têm em comum a habilidade para simular ambientes dentro dos quais os humanos podem interagir”, afirma Lucia Santaella. Esse é o chamado, também, de mundo virtual, no qual se criou uma gigante e complexa rede, que interconecta pessoas diversas com diferentes interesses que acabam se encontrando, se conhecendo melhor pelas múltiplas possibilidades de categorizar e imprimir uma personalidade que no mundo real, talvez, essas não conseguiriam.
Wiliam Gibson, escritor norte-americano reflete que o “ciberespaço é uma alucinação consensual experienciada diariamente por bilhões de operadores legítimos...Uma representação gráfica de dados abstraídos dos bancos de cada computador no sistema humano”. O que dizer a respeito de uma alucinação consensual? Loucura da contemporaneidade? Devaneio? Tudo isso junto! Uma vez que os chamados usuários/internautas utilizam, se apropriam de uma realidade que eles acreditam que de fato exista, e ponto final, não há o que julgar, é consenso.    

Referência

  • SANTAELLA, Lúcia. Culturas e artes do pós-humano: da cultura das mídias à cibercultura. São Paulo: Paulus, 2003.  

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